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Como éramos inocentes…

Fuçar revistas de video game velhas pela internet é algo fascinante. Além do design “retrô”, das propagandas cafonas, das bugigangas made-in-Brazil toscas (Dynavision, alguém?), dos reviews de jogos “alternativos” (Street Fighter III para NES numa edição da Ação Games, por exemplo), podemos olhar para o passado e ver o quão errado os avaliadores podiam ser.

Apesar, é claro, que “errado” é uma palavra muito forte. No fundo avaliações são opiniões, e cada um tem a sua. Mas de qualquer forma, algumas coisas são difíceis de se explicar quando acreditamos que a pessoa que escreve é imparcial. Vamos olhar para esta edição da revista Ação Games, número 7, de novembro de 1991:

A primeira coisa legal a se notar é a capa. Em 1991 CD estava longe de ser popular aqui no Brasil, e jogos usando essa tecnologia com certeza excitavam a mente dos jogadores. Apesar dos videogames de CD já existirem nessa época, ainda faltava uns bons anos até a tecnologia ser boa o suficiente para se produzir um bom videogame. Mas isso é assunto para outro tópico.

Vamos falar sobre avaliações. Bom, como a capa mostra, um dos jogos da edição nada mais é do que “Phantasy Star” para Master System, um dos jogos mais revolucionários da história, com certeza um RPG obrigatório que todo retrogamer deve cedo ou tarde colocar no currículo. Aí está o veredito sobre o jogo, segundo eles:

Nota máxima apenas no desafio. Ok, é um jogo difícil mesmo… Mas gráficos e sons não são nota “3/5”, não senhor. Será que os avaliadores são tão rígidos assim?

Então vamos responder essa pergunta com o veredito de outro jogo, um sabidamente ruim, Fantasia para Mega Drive. Talvez o pior jogo do Mickey para o sistema:

Nota máxima?! Mas nem naquela época Fantasia era um bom jogo! Por que essa diferença gritante entre PS1 e Fantasia? Será que os avaliadores não pesavam a máquina? Afinal, é óbvio que som e gráficos serão piores no Master System, o certo seria levar isso em conta e julgar o jogo contra um “ideal teórico” para cada sistema.

Tendo isso em mente, vamos olhar para outro jogo de Master System dessa mesma edição: “Captain Silver”. É um jogo completamente esquecível, nada de mais, nada de menos.

Nota máxima de novo?! Ok, agora podemos afirmar, é sem dúvida uma má-avaliação. Talvez nem seja culpa do avaliador. Afinal, só estão olhando 3 aspectos do game, sendo 2 técnicos e apenas 1 que influencia o gameplay. Mais tarde a revista adotaria outros critérios importantes baseados no gameplay, como jogabilidade, mas por enquanto não havia isso. Sem falar que os textos são vagos e só dizem nas entrelinhas se um jogo é bom ou ruim.

Saindo um pouco do PS1, podemos torcer o nariz tambem para essa descrição de jogo, “Fighting Street”. Não, não escrevi errado, é esse o nome do port para PC-Engine de Street Fighter 1. O jogo no fliperama já era meio quebrado, no PC-Engine era praticamente injogável:

Movimentos bonitos e radicais. Ai ai…

Mas nem tudo está perdido. Afinal, Dick Tracy para Mega Drive teve uma boa nota, e este jogo é um clássico:

Num mundo sem internet, a fonte de informação dos gamers eram basicamente contra-capas de jogos e essas revistas. E nem sempre as revistas eram menos parciais que as contra-capas…

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Working Designs

Working Designs foi uma empresa envolvida na adaptação e publicação de diversos jogos nos EUA, investindo no lançamento de RPGs e jogos de estratégia que foram “hit” no Japão. Boa parte desses lançamentos se tornariam clássicos-cult no ocidente, como por exemplo a série Lunar, embora poucos jogos atingiram vendas realmente impressionantes (talvez a única exceção seja Alundra para PlayStation, que teve boas vendas em seu lançamento).

Uma das características dessa empresa era sua excelência com designs de seus produtos. E não falo dos jogos em si não, falo das caixas mesmo. Desenhos bonitos, detalhes laminados, etc. Aí está, a direita, Jurassic Park, uma capa que não é particularmente feia ou bonita, e um lançamento da Working Designs, Popful Mail, ao lado. Lembrando que a capa da Working Designs tem detalhes laminados que são difíceis de se perceber numa foto, ou seja, pessoalmente é ainda melhor:

Fica claro que qualquer colecionador adora ter um jogo desses na prateleira.

E ainda tem outro detalhe que é o sonho/pesadelo dos colecionadores: variantes do mesmo jogo.

A Working Designs lançava com frequência diferentes designs dos cds e/ou encartes do mesmo jogo, sendo algumas variantes extremamente raras, atingindo valores até cinco vezes maiores que as variantes comuns. Lunar Silver Star para Sega CD é um exemplo extremo dessa característica deles, com sete variações conhecidas. Por outro lado, Lunar Eternal Blue para Sega CD não tem nenhuma variante. Abaixo, as sete variações conhecidas do Silver Star e mais a única do Lunar Eternal Blue, da coleção do nebrazca:

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Sim, conhecidas. Isso porque sempre aparecem boatos sobre variações novas. Alundra por exemplo, acredita-se que exista uma variante de encarte ainda não encontrada, talvez usada para uma produção-piloto e depois nunca mais usada.

Lembrando que as diferenças são apenas externas. Os jogos são absolutamente iguais, em todos os casos.

De qualquer forma, a empresa fechou as portas em 2005, com jogos lançados para TurboGrafx 16, Sega CD, Sega Saturn, PlayStation e PlayStation 2. Uma grande pena para colecionadores e claro, fãs de jogos de RPG, estratégia, space shooters e etc. Aí está uma lista com todos os títulos lançados, de acordo com a sempre confiável (*sarcasmo) wikipedia:

– Turbo Grafx 16 e Turbo Duo:

Cadash, Cosmic Fantasy 2, Exile, Exile: Wicked Phenomenon, Parasol Stars, Vasteel.

– Sega CD:

Lunar Silver Star, Lunar Eternal Blue, Popful Mail, Vay.

– Sega Saturn:

Albert Odyseey, Dragon Force, Iron Storm, Magic Knight Rayearth, Sega Ages, Shining Wisdom.

– PlayStation:

Alundra, Arc the Lad Collection, Elemental Gearbolt, Lunar Silver Star Story Complete, Lunar 2 Eternal Blue Complete, Raystorm, RayCrisis, Silhouette Mirage, Thunder Force V, Vanguard Bandits.

– PlayStation 2:

Growlanser Generations, Gungriffon Blaze, Silpheed: The Lost Planet.

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